EDITORIAL

"Entre a lenda e o fato, imprima-se a lenda".
Maxwell Scott, O Homem Que Matou o Facínora (The Man Who Shot Liberty Valence), dirigido por John Ford, em 1962.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Publicado no BRASIL DE FATO 301 - Nos Estados Unidos, muitos presídios, grandes negócios

Com características de escravidão, mão-de-obra carcerária nos presídios privatizados do país é barata até para padrões chineses

03/12/2008

Disponível no link: http://www3.brasildefato.com.br/v01/agencia/agencia/internacional/nos-estados-unidos-muitos-presidios-grandes-negocios

Memélia Moreira, de Orlando (EUA)

Quando se pensava que o sistema capitalista havia esgotado todas as suas formas de exploração, descobre-se mais uma: o uso da mão-de-obra carcerária nos presídios privatizados. Essa mão-de-obra, que tem características de escravidão, é barata até mesmo para os padrões chineses. Sem direitos trabalhistas e cuja e única forma de protesto é a rebelião, é largamente usada nos Estados Unidos, país campeão mundial de presídios no mundo, com 8.700 unidades espalhadas dentro do território, além dos 17 cárceres flutuantes, nos navios de guerra da Marinha dos EUA. E mais ainda com as inúmeras prisões em suas bases militares, sendo Guantánamo a mais notória de todas.

E há presídios para todos os gostos. Públicos e privatizados, onde se registram os mais ignominiosos desrespeitos contra os direitos humanos. Diga-se de passagem, o Brasil vem adotando, quase em surdina esse mesmo sistema de prisões privatazads, num drible à Constituição e sob o rótulo de "PPP" (parcerias público-privadas). Em janeiro deste ano, o governo de Pernambuco abriu licitação para construir mais um cárcere privatizado. Desta vez, em Itaquitinga. E outros estão em pleno funcionamento nos Estados de São Paulo, Bahia, Minas e Ceará.

Em 19 de novembro, quando o Brasil comemorava o Dia da Bandeira, o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Chenney, um dos homens que mais lucra com a guerra do Iraque, e o ex-procurador geral, Alberto Gonzalez, eram notificados pelo tribunal de Willacy, condado no Estado do Texas, perto da fronteira com o México, para se defenderem da acusação de "atividades do crime organizado relacionado ao abuso de detentos em prisões privadas".

O chamado, generosamente, de "abuso" são torturas contra presos que se recusam a se submeter às regras trabalhistas dos presídios. E a tortura contra presos, assunto muito debatido na campanha presidencial, é crime previsto na 8ª emenda da Constituição dos Estados Unidos.

Os leitores estão livres para comparar Chenney e Gonzalez a Joseph Mengel ou Goebbels. Não a Hitler porque o criador do nazismo gostava de música. Chenney e Gonzalez não têm o menor interesse pelas artes e defendem abertamente a tortura, a pena de morte e qualquer outro método que atente contra a dignidade humana. Gonzalez, que sempre assessorou o presidente George W, Bush, quando procurador do Texas, o Estado bateu recordes de condenações à morte.

8.700 presídios

Com uma população de pouco mais de 300 milhões de habitantes, os EUA mantém nos seus 8.700 presídios 2,5 milhões de presidiários dentro do seu território. Isto é, bem mais presos do que os países de grandes populações. Mas o número total de prisioneiros sob a responsabilidade do governo dos Estados Unidos é um segredo.

A estatística é desconhecida não apenas por causa das prisões clandestinas dos navios mas, principalmente porque o governo dos EUA não informa quantos prisioneiros mantém nas bases militares. Argumentam com a velha frase "questões de segurança". Os números portanto, cobrem apenas os presos dentro do território, incluindo Havaí e Alaska. Quantos em em Abu-Ghraib? Ou em Guantánamo? Talvez só mesmo o Departamento de Defesa saiba responder. Mas, mesmo assim, não deixa de ser impressionante o fato de que há 750 presos para cada cem mil estadunidenses. O percentual é assustador quando se sabe que na Inglaterra são 148 para cada cem mil, na França 85, na Líbia 217 e na China, 119.

Prisão típica

Nada que lembre os depósitos de presos dos cárceres brasileiros. Numa prisão típica, oito pessoas por cela já é considerada superlotação. As celas das prisões-modelo medem 2,5 m por 1,8 m e contam com uma cama de metal, pia e vaso sanitário. Algumas chegam ao "luxo" de ter janelas com vista para fora do presídio.

Mas isso não significa que todos os presídios obedeçam os mesmos parâmetros. A mais temida e odiada prisão dos Estados Unidos é a de Sing-Sing, localizada no luxuoso condado de Westchester, a 40 km de Nova York e onde o ex-presidente Bill Clinton comprou uma casa. Lá, de acordo com relatório da organização não governamental Human Rights Watch – que recentemente foi expulsa da Venezuela depois de uma polêmica com o presidente Hugo Chávez – "proliferam ratos, baratas e aranhas venenosas".

No item "alimentação", a ONG que é vista com suspeitas não apenas por Chávez mas, também pelo Departamento de Estado dos EUA, denuncia a "falta de higiene" das refeições oferecidas, causa principal de muitas das rebeliões que já agitaram e continuam agitando os presídios do país.

Para completar o quadro de horrores apresentados pela Human Rights Watch, essa organização jogou na cara da sociedade estadunidense a notícia sobre a disseminação da tortura contra os presos, não apenas contra os chamados "terroristas" presos no Iraque, Afeganistão e em Guantánamo mas, dentro dos Etsados Unidos. Sem se referir especificamente a essa denúncia, o presidente eleito Barack Obama se comprometeu a mandar investigar a veracidade da informação tão logo tome posse. (Leia mais na edição 301 do Brasil de Fato).

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

PROF. FLÁVIO LANDOLPHO RESPONDE TRÊS QUESTÕES SOBRE MÍDIA E EDUCAÇÃO




ELP: O jornalista José Arbex Jr fala em seu livro O Jornalismo Canalha, sobre os colegas de trabalho que, em tempos de universidade, levantam as bandeiras das causas sociais e compromisso com a “verdade”. No entanto, quando adentrados no seu mundo profissional, acabam vestindo os panos dos “escribas” e servindo de forma cada vez mais agressiva ao interesse das corporações que procuram legitimar, sendo baluartes de sistemas políticos e econômicos neoliberais. Como você analisa esta situação?


R: Ela denuncia claramente o ‘espírito de classe’ destes indivíduos: ou são oriundos da elite auto-iludida, que se contenta com o discurso indignado e inclusivo, desde que este não afronte as ordens sócio-políticas, ou são membros da patética classe média, sempre disposta a clamar por moralidade e justiça, mas que só sabe ‘macaquear’ as elites num mimetismo de envergonhar qualquer camaleão. O poder latino-americano, e brasileiro por excelência, contempla a juventude universitária reformista com condescendência, sabedores de que esta logo se renderá ao modelo estabelecido, que tanto tem a oferecer a esta. Por que arriscariam ser excluídos ou desacreditados enfrentando o neoliberalismo que sempre foi tido como intocável e invencível? O que os miseráveis, os analfabetos, os sem-terra e sem-teto têm a oferecer por esse apoio? Nada que possa interessá-los, evidentemente. Além disso, existe um apelo ideológico poderoso da burguesia, de considerar-se a síntese da humanidade, a representante legítima da nação, o núcleo gerador da res publica; assim sendo, ao serem alçados ao mas mídia, aos meios formadores de opinião, sentem esse apelo e tomam apreço por ele, tornando-se quando muito uns paternalistas de má consciência ou em críticos malsinadores dos modelos sociais inclusivos.

Para curar essa chaga sempiterna do nosso meio jornalístico, somente uma democratização avassaladora dos recursos informacionais e uma educação crítica, intelectual e política.


ELP: Atualmente a polêmica sobre a imprensa livre toma algumas manchetes nos grandes “papiros” e “tábuas de argila” da nossa sociedade. Por um lado, os grandes jornais, revistas e emissoras de tv atacam violentamente ações do presidente da Venezuela, Hugo Chaves (longe da “santidade”), sobretudo no episódio da RCTV, em 2006, cuja renovação da concessão governamental não foi feita, uma vez que não atendeu os princípios do contrato, principalmente na defesa dos interesses públicos (qual emissora Brasileira faz isso mesmo?), além de atender interesses privados e ajudar abertamente a arquitetar e patrocinar um golpe de estado (com apoio de militares americanos, reeditando fatos das décadas de 60 e 70 na América Latina). É interessante observar que os “templos midiáticos” brasileiros omitiram algumas destas informações e levantaram polêmicas em torno da própria liberdade (ou a “liberdade de imprensa”), procurando “precaver-se” com manifestações e notas diárias sobre o tema, mudando o foco político do interesse geral social, para o interesse regional privado. O jornalista Paulo Henrique Amorim, por exemplo, tem sofrido constantes problemas de demissões e processos por conta da sua “conversa afiada” sobre estas relações de “incesto e volúpia” entre o que é jornalismo, política e interesses comerciais, chegando a dizer que a democracia criada pela internet, quanto à ”liberdade de expressão” (sempre ela!), está ameaçada, considerando-se que grandes corporações tem comprado servidores e empresas de tecnologia, em busca do monopólio. Com base nestas informações, me diga: Orson Welles nos deixou um grande filme (Citzen Kane – Cidadão Kane), uma aula para as novas gerações de “escribas” ou uma maldição sem prazo de validade? Onde estará o Rosebud?


R: Eis a pergunta que vale um milhão... Desde o empastelamento dos jornais monárquicos na República Velha, nenhum meio midiático de expressão deixou de mancomunar-se com os poderes econômico/político como forma de sobrevivência. Entretanto esse pragmatismo tornou-se um vício de resultados apocalípticos, quando ao lado da sobrevivência esta acomodação produziu frutos muito apreciados: um fluxo caudaloso de lucros e prestígio, reforçando o descompromisso com a verdade e com a justiça social, mesmo com a ideologia, último bastião das consciências.

O exemplo venezuelano só demonstra a parcialidade histérica (ou cínica?) dos nossos meios midiáticos: como apoiar uma empresa golpista, anti-patriótica, promotora da instabilidade social, do alarmismo desfocado e sustentáculo de um aventureiro (Carmona, o títere de Bush)? Ainda que revele histrionismos perturbadores, Chávez agiu com propriedade e legitimidade. No Brasil, se a redemocratização tivesse sido plena a “Globo” e a “Veja”, para citar alguns exemplos, teriam o mesmo destino...

A noção falsa de neutralidade da imprensa criou o mito de sua inviolabilidade, o que garante tanta má-fé, crueldade e irresponsabilidade da parte desta.


ELP: A internet agora é o “objeto de desejo” dos grandes centralizadores da informação. A idéia neoliberal de “disponibilizar” os “conhecimentos” na rede e empurrar por meio do mercado de trabalho a filosofia do “aprenda, faça e vença”, elimina principalmente a noção de saber histórico e social, por meio dos seus processos. A Geografia de interesse é aquela que mostra de onde vem o capital e para onde viajar, quando estiver de férias. História é a lembrança da própria trajetória, contada em palestras de management, sobre todo esforço feito na vida, para receber 50 salários mínimos por mês e ser bem sucedido. O interessante é que justamente às disciplinas História e Geografia sofrem constantes ataques dos meios de comunicação que responsabilizam os professores, a quem chamam de “ideologicamente perdidos” e “descontextualizados”, pelo caos em que se encontra o sistema de ensino público. Em meio aos seus ataques, uma revista semanal destas que circulam por aí (uma publicação séria, comprometida com a “verdade”, certamente não teria no próprio nome uma insinuação a “ver”, mas sim a “enxergar”!), chegou a dizer que Paulo Freire, considerado um dos maiores educadores do mundo contemporâneo, era autor de “um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização”. Após esta frase, não sei nem o que perguntar. Fale livremente:


R: Para além desse episódio creio que esta desmoralização do educador é antes de tudo um movimento para negar a própria Educação, que sempre será contemplada como um privilégio de classe e não um direito promotor da cidadania. Ao se arvorar como verdadeira detentora da contemporaneidade, a mídia neoliberal, tenta esvaziar a autoridade da História e da Geografia, que passam a ser tratadas como elementos informativos e não formativos. Negando a importância destas disciplinas, tratando-as como meros temas para anedotas, como recursos de contextualização, procuram secar a poderosa vocação de esclarecimento e engajamento que estas oferecem.

A internet, para ser clichê, é a tal ‘faca de dois gumes’ do neoliberalismo, ou seja, é um oceano de informação solta, consumo, desejos, isolamento e alienação, mas é também um meio democrático de apresentação de idéias, de promoção de afinidades, visões, discussões e conscientizações. Se descobrirem um modo eficiente de anular o perfil mais libertador deste meio, será o “1984” de Orwell tornando-se realidade...

Além disso, considero que a mídia como um todo está permeada de diletantes, ‘achistas’, palpiteiros e ‘calunistas’ do mais baixo nível – todos promíscuos e mancomunados com poder estabelecido.

A miopia ética desta gente só é igualada pela mediocridade de seus textos, o mais das vezes mal escritos, rasos, maniqueístas e eternamente pendentes para o lado neoliberal.

As afirmações da citada revista, verdadeira rameira midiática, eterna concubina do Regime Militar, energúmena mesmerizada de Reagan, Thatcher, Friedman e congêneres, confirma seu caráter espúrio: não haverá nunca de apoiar o educador que libertou os corações e mentes dos oprimidos. Aliás, como é possível permitir a alguém que não é formado em Pedagogia, Educação ou História da Educação, palpitar sobre esse tema? Quem autoriza estas falas de tal forma desencontradas, já que não são baseadas numa formação prévia? Quem permite que uma opinião baseada na antipatia e no desconhecimento teórico seja expressa como verdade?

Somente entendendo o passado e o presente desta revista, entendemos essa vontade de manter este estado de coisas, de olhar com rancor os esforços de um modelo que nunca foi aplicado, pois perseguido pelos militares, que esta mesma revista apoiou de forma tão impudente; são estes que ousam negar o nome do maior educador do Brasil.


Flávio Landolpho é professor universitário das disciplinas História e Pedagogia. Respondeu as questões por e-mail.

sábado, 13 de setembro de 2008

TEXTO 14 - SÉRIE "OS FILHOS BASTARDOS DE GOEBBELS" - PARTE 1


Diogo Mainardi com seu traje preferido. Ao fundo a bandeira do seu país. Em 11/09/2001 estava de folga.

Caríssimo Adriano*

Só o nome deste diletante e 'calunista' já me provoca engulhos: Seus textos são de uma estreiteza ideológica de tal forma retrógrada que podem rivalizar com as opiniões do Gal. Newton Cruz. Além disso são tremendamente mal escritos e tolamente/despudoradamente baseados no 'achismo', na opinião rasa, no preconceito e na crença totalmente infundada de que está autorizado a escrevê-los por pertencer a um Parnaso de neo-liberais que julgam ter reinventado a roda.

A mídia escrita permite vez ou outra estes bufões ungidos de Milton Friedmann, tais como o equivocado Taborda ou repulsivo e andrajoso Olavo de Carvalho - colocam-nos no picadeiro e depois, quando esvaziados, os varrem para debaixo do tapete... Mainardi é a 'bola da vez': uma bola murcha, medíocre, é ele o embasbacado mordomo caricatural e rancoroso de uma elite subdesenvolvida que se dá ares de 'grand-monde' mas que em quinhentos anos de exploração não criou nada que prestasse: nem uma grande universidade, um museu de relevância, centros de pesquisa, nada de nada - quando muito só obras caritativas e beneméritas vazias.

É essa elite que Mainarde serve com fidelidade canina, auto-iludido, patético; não tem o bom senso de comparar esta escória dourada com a verdadeira elite do mundo, que dedica parte importante de suas fortunas a produzir o progresso, a cultura, as oportunidades de nivelamento das classes pelo o talento e o conhecimento - vide o exemplo dos Gates, Rockefeller, Ford, Nobel, etc.

Mainardi imagina-se um iconoclasta, um polemista, um Voltaire renascido, um H. L. Menken, mas na verdade é uma farsa. O ódio que destila para os outros, certamente nasce de sua certeza de que nunca será genial, criativo, verdadeiro e honesto: a grandeza deste anão moral é o rancor e o despeito.

Deixemos este cão ladrar, a caravana da História vai passar incólume.

A respeito dele posso lembrar Trilussa que dizia dos nazi-fascistas:

"Exausta ao atingir o cume do obelisco, a Lesma da Van Glória suspira satisfeita ao ver o longo fio de baba de sua jornada: Também eu ficarei na História!"

Flávio Landolpho é professor universitário das disciplinas História e Pedagogia

*Resposta ao e-mail que lhe enviei sobre os comentários do "neo-escriba" da Veja, sobre a educação no Brasil

Sobre Joseph Goebbels: http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u377.jhtm

ADRIANO TARDOQUE NO PROGRAMA "LOUCURAS DO ALEXANDRELLI" NO DIA 08/04/2008



DISCURSO EXTRAORDINÁRIO DE UMA CRIANÇA SOBRE O MEIO-AMBIENTE NA ECO 92